Autossabotagem

Resolvi terminar a semana com um texto maravilhoso que li recentemente.

Não tem muita relação com organização, mas quis trazê-lo para o blog, pois é um tema muito interessante e fala de um erro que muitos de nós cometemos (muitas vezes inconscientemente). Espero que todos gostem!

Vocês podem encontrar o texto original nesse link.

Um aluno tem que fazer uma prova importante e não estuda. Sem que o saiba toma essa decisão aparentemente desfavorável e de qualquer forma ele sairá por cima. Se tirar uma nota baixa alegará: “nem estudei mesmo”, mas se a nota for boa se vangloriará: “sou muito bom!”.

O motivo pelo qual muitas pessoas agem de forma ruim em suas vidas é um mecanismo de proteção de sua identidade. Pelo temor de se responsabilizarem pelos resultados do que realizam preferem criar condições desfavoráveis e assim ter uma justificativa para sua desventura em elementos externos a si mesmas.

1- “Não é que fui mal no teste, mas escolhi um dia ruim, acabei dormindo mal na noite anterior”.

2- “Acabei não passando na entrevista de emprego porque me atrasei, o trânsito dessa cidade é terrível”.

3- “Nunca deixei meu trabalho em segundo plano e sei que os homens são limitados mesmo, estou feliz que nenhum interesseiro se aproximou de mim e por isso fiquei solteira”.

4- “Ela que está perdendo por ter me deixado”.

5- “Deus não quis assim, o que eu poderia ter feito para passar no concurso?”

6- “As pessoas que são idiotas, eu não preciso da aprovação de ninguém!!”

O que existe em comum a essas seis situações?

Todas as pessoas já tinham uma desculpa socialmente aceita para justificar um possível fracasso que realmente se concretizou.

No primeiro caso a noite induzidamente mal dormida garantia que caso o teste fracassasse ainda assim a pessoa manteria uma imagem positiva de si mesma. Em sua fantasia não foi sua incapacidade de passar que causou o insucesso, mas o sono ruim.

No segundo, mesmo sabendo das condições da cidade e podendo sair com muito tempo de antecedência preferiu sair no tempo justo para que um imprevisto acontecesse. Nem lutou contra o atraso, mas se agarrou nisso como potencial justificativa para o emprego não conseguido. Provavelmente o atraso nem foi a razão e sim seu mal desempenho mesmo. Ela gostaria de saber isso? Mesmo dizendo que gostaria da verdade ela prefere proteger sua “boa” autoestima preservada com um autoengano.

No terceiro caso ela usou o argumento da autenticidade para dizer não o trabalho era sua prioridade mesmo sabendo secretamente que até trocaria sua rotina estafante para ter um namorado. Dessa forma não encararia sua inabilidade pessoal ou pouca atratividade para conquistar o parceiro desejado.

Na quarta situação ele não conseguiu encarar suas dificuldades e erros ao longo do relacionamento e ver sua autoimagem arranhada e precisando de cuidados. Com isso preferiu atribuir a uma cegueira da ex-mulher para suas habilidades incríveis.

No quinto caso, o concurseiro não quis dar o braço a torcer que não era tão bom quanto o cargo exigia e por isso não se dedicou integralmente aos estudos. Assim como o menino imprudente do início do texto ele não entrou de cabeça e se deixou testar de verdade. Para poder continuar acreditando que sua vida não teve nenhuma queda ou lidar com a frustração atribuiu à vontade de Deus algo que tinha a ver com seu desempenho duvidoso.

No sexto relato a garota se recusa a lidar com seu medo de se relacionar com as pessoas e adota um comportamento agressivo e provocador. Ela cria uma predisposição ruim nos relacionamentos de forma geral, se as pessoas rejeitarem ela afirma “sou o que sou”, se gostarem dela (por curto período) “quem diria”. De qualquer maneira sua vulnerabilidade está protegida e nunca enfrentará a maneira mimada e difícil de se relacionar com os outros.

Fazemos isso o tempo todo, criamos ilusões, narrativas enganosas sobre nossa vida ou argumentos frágeis para explicar o inexplicável: nós falhamos e não somos tão bons quanto imaginamos.

Na tentativa de não romper a frágil película de nossa estabilidade, aparente sucesso ou esperteza falseamos o sentido das coisas e preparamos o terreno para o insucesso, na dúvida já não ia dar certo. Para a pessoa autossabotadora a possibilidade da derrota é mantida distante e da vitória também. O mais importante é não confrontar a realidade e se manter no sonho potencialmente bom, ainda que nunca comprovado.

O casamento que não sai, o emprego que não anda, o objetivo que não se cumpre são sempre resultados de uma quase-vida que não aconteceu.

O que fazer? Fazer algo, ao invés de sonhar.

Por que não saímos desse ciclo? Leia o negrito acima e concluir: ego grande.

Talvez seja a hora de assumir que grande parte dos resultados de sua vida são escolhas pessoais com causas bem localizadas, você.

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